Publicado por: Anacarolina em: setembro 12, 2011
Terceira maior cidade do Marrocos, Marrakech é um ótimo lugar para conhecer a genuína cultura islâmica. Fundada em 1062 pelos almorávidas, monges guerreiros do deserto do Saara, a cidade é, em relação a outros pontos turísticos como Casablanca, Tanger ou Rabat (capital do Marrocos), a mais preservada da influência europeia (espanhóis e franceses, principalmente). Aqui, parte de um resumo dos quatro dias que passamos lá em 2009.

A praça Jemaa el Fna, onde tudo acontece. Aqui está a culinária mais típica da cidade (à noite na praça e noite e dia nos restaurantes bacanas em volta da praça), vários grupinhos de homens cantando ou encenando pequenas peças de teatro, encantadores de serpentes, mulheres espertas que fazem tatuagens de henna antes que você se dê conta do que está acontecendo, vendedores de água que dançam para atrair os turistas, vendedores de tâmaras e castanhas, um bando de charretes que levam turistas pra baixo e pra cima, gente andando para todos os lados a pé, de bicicleta ou de moto, muita música e muito marroquino assediando quem não é daqui pra conseguir alguns dirhams (a moeda deles) em troca qualquer coisa, um passeio, uma informação, uma ajuda pra chegar em algum lugar... Tudo. De noite a praça lota e, longe das barracas de comida, fica tudo meio escuro. A música aumenta e o clima é de mistério puro!

Esses caras engraçados são vendedores de água. E grandes dançarinos tb. Têm toda uma coreografia para atrair uns trocados dos turistas. Mas beber dessa água nem pensar!

Os tais encantadores de serpentes. Nessas cobrinhas aí até eu pus a mão, mas do lado desse senhor tinha um outro carinha tocando flauta pra uma naja... cruzes!

As ruas da Medina são estreitas e sempre cheias de gente (a pé, com bicicletas ou motos), animais e mercadorias. Pra organizar a muvuca, do lado direito ficam as pessoas que vão, e do lado esquerdo, as que vêm. Quem costuma bagunçar esse trânsito são os turistas que geralmente não sabem dessa regra.

As ruas têm duas mãos e nenhuma sinalização. Atravessá-las é uma aventura, pois vem gente de carro, moto, bicicleta ou jumento de tudo quanto é lado, tudo ao mesmo tempo agora. O que a gente fazia? Colava nas marroquinas e ia. Elas não ficam esperando a hora de atravessar, simplesmente vão andando e os carros, motos e bicicletas que desviem. E olha que sempre dava certo! Capacete também é algo que não existe. Acho que fotografei o único de Marrakech! =)

As ruas da Medina são verdadeiros labirintos. Uma das coisas que eu mais senti falta foram placas com o nome das ruas. Não existem. Como não existe um ponto de informação turística nem um mapa pra se localizar. O melhor jeito para não se perder é marcar bem os pontos onde é preciso virar à esquerda ou à direita. Uma placa de loja, a cor ou o desenho de uma parede... Qualquer coisa vale pra não se perder, porque senão toca desembolsar alguns dirhans pra algum marroquino indicar o caminho certo.

Este é o souk, o grande mercado central, localizado na praça Jemaa el Fna. Tem de tudo: roupas, sapatos, prataria, especiarias, tapetes, cristais, cerâmica fina e jóias, entre outras coisas. Aqui, como em qualquer outra loja marroquina, encostou a mão na mercadoria, tem que levar. Eles insistem e negociam até cansar, até chegar a um preço que é impossível dizer não. Eu queria saber o preço com antecedênca, pra calcular quantas capas de almofada ia levar, mas primeiro a gente escolhe os modelos e a quantidade que quer e depois negocia, negocia, negocia... Essa vocação para o comércio vem de Maomé, o profeta (e fundador do islamismo no século 7), que era um próspero mercador.

O melhor da gastronomia local está na praça Jemaa el Fna. Feche os olhos e caia de boca. Muitos temperos e condimentos numa comida saborosa e cheia de molhos. E muita azeitona também. Adoro! Turista come com garfo, mas eles comem com a mão e com o pão. E o guardanapo é a roupa ou um pedaço de papel de embrulho. A vigilância sanitária faria a festa aqui!... rsrsrsr. Apesar de receosa, não tive dor de barriga nenhum dia.

Chá de menta: docíssimo! Mas uma delícia. E bebida obrigatória em muitas ocasiões. Se um marroquino oferece, tem que aceitar. É uma baita falta de educação dizer não.

Comida booooooa!!! Pra quem quer fugir dos restaurantes pra turista e conhecer a verdadeira gastronomia de Marrakech, outro lugar bacana pra comer são os restaurantes localizados nas ruelas da Medina, onde o pessoal da cidade vai. Tudo muito saboroso pois eles usam muitas especiarias. A boca fica perfumada!

A moda dos homens: a maioria deles usa essas roupas. Só mudam as cores. É meio esquisito pois nos filmes americanos (que a gente adora e já assistiu milhares) homens com esse manto com capuz sempre são maus e estão prontos pra fazer alguma b... Depois a gente acostuma e desencana, mas sempre dá um sustinho... rsrsrsrs.

Já as mulheres andam de véu, que cobre os cabelos e o corpo. Algumas são discretas - ou não se importam muito com moda...

...já outras são beeeem fashion, com véus cheios de brilho e botas de salto altíssimo. É engraçado vê-las em cima de motos pra lá e pra cá paramentadas assim.

Dentro de casa parece que a história é outra. Olha só essa vitrine! Imagino que por baixo do véu elas usem esses vestidos! Ok, tudo fechado demais pro nosso gosto, mas cheio de detalhes rebuscados. As lingeries são beeeeeeeeeem menores, lindas, ousadas, decotadas e cheias de pedrarias. Muito sexy! E fashion!

Essa é a entrada do hotel em que ficamos. Por fora, simples e sem placa. Por dentro lindo e aconchegante. Quando fechamos a estadia pela internet, a resenha do site dizia estar a 15 minutos da praça. Ok, fácil. Quando chegamos... vimos que eram 15 minutos de ruelas labirínticas, sem placa, sem indicações, com um monte de gente abordando o tempo todo... Punk!

O hotel é uma típica casa marroquina, sem janelas para a rua e com um jardim interno. Chama-se riad.
Publicado por: Anacarolina em: agosto 31, 2010
A gente acha que vai aguentar, afinal o que são 2h30 na vida de uma pessoa? Mas se forem 2h30 chacoalhando loucamente em mar aberto, tendo certeza que dessa vez o Dramin não vai fazer efeito e vai desistir de segurar seu estômago, podem ser as 2h30 mais longas do planeta. Por isso nós (eu, claro) abrimos mão do catamarã e partimos para uma j0rnada de 4h30 para sair de Morro e ir para Salvador.
Resumindo pegamos 1 lancha rápida até Ponta do Curral, depois uma van até o atracadouro de Itaparica, mais uma lancha rápida até Salvador e o táxi para o aeroporto.
Saímos 7h30 do hotel em Morro e chegamos às 12h no aeroporto de Salvador. E às 15h30 em SP. Canseira!
Publicado por: Anacarolina em: agosto 26, 2010
“Eles passarão. Eu, passarinho.”
Publicado por: Anacarolina em: agosto 25, 2010
A água vem, lambe a areia, leva um bocadinho dela.
Pouco a pouco vai descobrindo a raiz da árvore que, mais dia menos dia, tomba.
E tá feito o cenário de desolação e beleza, lá no final da 5ª praia, a do Encanto.
E pra terminar, algo que li num livro de Rubem Alves há pouco, do universo à jaboticaba, dito por Tom Jobim: “Toda vez que uma árvore é cortada aqui na Terra, eu acredito que ela cresça outra vez em outro lugar – em algum outro mundo. Então, quando eu morrer, este é o lugar para onde quero ir. Onde as florestas vivem em paz”.
Publicado por: Anacarolina em: agosto 24, 2010
Carol lindinha perto do chapéu-de-sol que a maré derrubou na praia: era só para dar uma ideia de proporção. Mas no visor da câmera o tronco parece ter um braço que se apoia na areia, e a cabeça…
…parece cada vez mais uma cabeça de bicho.
Ou não parece?
Publicado por: Anacarolina em: agosto 24, 2010
Descobri o modo “primeiro plano” da minha máquina fotográfica, aquele que dá um efeito desfocado no fundo.
Aí me empolguei a fotografar detalhes de Morro, mais especificamente, da praia do Encanto…
O Rick também curtiu o efeito primeiro plano:
Publicado por: Anacarolina em: agosto 15, 2010
Chegamos em Salvador meia hora antes do último catamarã do dia deixar o atracadouro, perto do mercado Modelo e do elevador Lacerda (foto), para ir pra Morro. Meia hora e mais de 20 km de distância do aeroporto. O taxista cobrou 60 reais e disse que dava tempo. Confiamos nele e rumamos a 140 km\h, ele diminuindo a velocidade apenas nos lugares com radar ou com motoristas molengas. Tirou cada fina!… No meio do caminho tomei um Dramin, a seco mesmo, pra garantir uma viagem sacolejante sem grandes incômodos. Chegamos a tempo e… o catamarã (R$ 75\pessoa) atrasou, claro. Estamos na Bahia, estamos no Brasil. O engraçado é que eu tinha lido há pouco tempo uma matéria sobre um guia de uma agência de turismo inglesa que mostrava o brasileiro como sendo um povo não pontual… Na época fiquei meio contrariada, mas como negar?… Já no barco, resolvi tomar outro Dramin, tamanho era o sacolejar do barco, e esse me derrubou. Deitei no banco de 3 lugares e sonhei estar num ônibus desgovernado numa estrada cheia de curvas. Um pesadelo! Acordei torta, descabelada e de mau humor. Uma monstrenga… Tadinho do Rick… Depois fiquei sabendo que várias das meninas que estavam no barco também dormiram deitadas nos bancos de 3 lugares. Todas dopadinhas de Dramin, nosso santo remédio!!!
Publicado por: Anacarolina em: agosto 15, 2010
6h – hora que eu coloquei o despertador para tocar
7h – hora que o taxi passaria em casa para nos pegar e levar ao aeroporto, rumo a Brasília, nossa conexão para Salvador
7h15 – hora que acordamos por acaso, assustados
7h16 – Rick não acredita no que vê (os ponteiros do relógio marcando 7h16) e diz: “Não vai dar tempo”
7h16 – Muda de ideia: “Não, vai dar tempo. Corre!!!”
Pela primeira vez na minha vida me arrumei em 15 minutos e ainda fechei mala e juntei na necessaire os creminhos que faltavam…
7h30 – entramos no taxi do seu Amorim, que dá uma última e tranquila baforada em seu cachimbo antes de entrar no taxi. E lá vai ele a 40km\h, até que o Rick pede que ele acelere um pouquinho devido ao passar da hora…
8h32 – estamos dentro do avião. Ufa, conseguimos! Vamos chegar na pousada (onde o passarinho da foto vem nos visitar nas tardes ensolaradas), em Morro, por volta das 17h30, depois de andar 20 minutos da vila até uma pracinha, na 2a praia, onde o land rover do hotel nos espera, e mais 30 minutos sacolejando por estradas esburacadas.
Mas tudo isso vai valer a pena porque Morro é demais!!!
Publicado por: Anacarolina em: maio 30, 2010
Bocato foi a estrela da noite. Ou melhor, do festival. Ele e seu trombone de pistão arrasaram várias músicas. Entre elas, Beatles:
Não satisfeito em nos deliciar com seu som, trouxe uma angolana – Jéssica, que veio para o Brasil estudar música – para cantar com ele. Gracinha e meiga, com uma voz forte e vibrante. Chegou toda tímida e logo virou uma leoa, dona da situação.
Ou quase dona da situação… Nunca tinha visto Bocato ao vivo e é incrível como ele dirige tudo e todos do palco. Chama um pro solo, dispensa, pede rapidez, pede calma. Comanda de um jeito bem simpático, passa a sensação de que ele se diverte pra valer naquele palco.
Chiquinho, do Jô, deu uma canja e, antes de ir embora, Bocato chamou o cantor da 1a banda, o Rhandal Trio, que é também o baterista, para fazer I fell good. Bem divertido.
Ao final da apresentação, pediu pra gente ficar pro show do Pizzarelli, um cara, nas palavras dele, muito bacana e gente boa que ele conheceu no ônibus, vindo para Paraty.
Não precisava nem pedir. A multidão ficou e se emocionou com Frank Sinatra, Beatles, Tom Jobim. Mas também deu muita risada com esse cara todo certinho e com pinta de careta imitando Lou Reed, Bee Gees e Bob Dylan. Mas o melhor foi a imitação de João Gilberto, reclamando do barulho, e João Bosco, com seu aiaiaiaiaiaiai lerelerelere domdomdomdom aaaaa…
Fotos do festival em
http://www.flickr.com/photos/30118692@N06/sets/72157624156599458/